Responsabilidade
Houve uma época da minha vida em que eu estragava muitos alimentos dentro de casa. Eu fazia compra, enchia a geladeira, cozinhava bastante, e no terceiro dia parte da comida ia para o lixo. Naquele momento eu não tinha noção do que aquilo realmente significava.
Até que chegou uma fase em que começou a faltar alimento dentro de casa. E foi ali que eu aprendi da forma mais amarga possível o que é administrar. Administrar dinheiro, administrar casa, administrar alimento. Porque no fundo tudo é administração.
Eu observava como eu costumava cozinhar. Pegava uma cenoura, uma batata, uma beterraba, um chuchu, um inhame, uma batata doce. Cortava tudo em palitinho e fazia um prato grande, cheio, bonito. Um de cada.
A gente almoçava. Jantava. No outro dia almoçava de novo. Jantava outra vez. E no terceiro dia aquilo já não estava bom. Ia para o lixo. E ali estava indo meu dinheiro.
Foi então que comecei a mudar. Primeiro reduzi para metade de cada verdura. Ainda sobrava. Reduzi mais. Fui testando, observando, ajustando.
Até que cheguei na medida ideal: dois dedos.
Pegava a cenoura e media dois dedos.
O chuchu, dois dedos.
A batata, dois dedos.
O inhame, dois dedos.
A abóbora, uma fatia de dois dedos.
A batata doce também.
Cozinhava dois dedos de cada verdura. Aquela passou a ser a medida certa para alimentar cinco pessoas, dois adultos e três crianças. Almoçava. Jantava. E acabava. Não sobrava para estragar.
Mas eu entendi algo ainda mais importante: não adiantava aprender a cozinhar dois dedinhos se eu continuasse comprando demais.
Se eu continuasse trazendo sacos grandes porque estavam mais baratos, o desperdício ia continuar. Talvez não na panela, mas na geladeira. E muitas vezes o que ficava para a outra semana acabava estragando do mesmo jeito.
Então eu refiz tudo.
Não só dentro de casa, mas também na hora de comprar.
Eu deixei de comprar sacos cheios de cenoura, de batata, de chuchu. Parei de comprar pelo impulso, Porque comigo, quando sobrava demais, ia para o lixo.
Passei a comprar apenas o necessário para a semana.
Duas cenouras para sete dias.
Dois chuchus para sete dias.
Duas batatas.
Dois inhames.
Duas batatas doces.
Uma abobrinha pequena.
Nem mais. Nem menos.
Foi aí que eu entendi que economizar não é passar necessidade. É entender a medida certa. E a medida certa começa na compra.
Hoje eu sei que economia não está só nos alimentos. Está na água, na luz, nas pequenas decisões da casa. Mas isso é assunto para outro dia, o que eu aprendi foi simples: desperdício não começa no lixo. Começa na falta de atenção, quando você presta atenção, o dinheiro fica.
Em tudo há uma engenharia,
Vamos enriquecer juntos.