A rodoviária

Eu tinha sete anos quando meu pai decidiu que ficar na Bahia já não era mais uma opção.

Morávamos em Itamaraju. A vida estava difícil. Éramos oito filhos pequenos, e meus pais faziam o que podiam para nos sustentar. Mas chegou um momento em que continuar ali significava aceitar que nada iria mudar, e meu pai não aceitou.

Ele juntou algumas roupas, colocou panelas dentro de uma caixa, organizou as poucas sacolas que tínhamos e colocou todos nós dentro de um ônibus, isso la 1982.

Saímos da Bahia rumo ao Espírito Santo, eu não entendia direito o que estava acontecendo. Só sabia que estávamos indo para longe de tudo o que conhecíamos.

Chegamos à rodoviária de São Mateus por volta das duas da tarde. Meu pai disse que ia procurar uma casa para alugar. Minha mãe ficou com a gente ali, sentada, cuidando de oito crianças, tentando manter a calma.

O tempo passou, e o sol começou a se pôr, e meu pai voltou quase sete horas da noite, sem casa, sem resposta, e sem esperança.

Naquela noite, ficamos na rodoviária, não tinha para onde ir. Meu pai disse que continuaríamos viagem no dia seguinte. Falou aquilo para que ninguém percebesse que não tínhamos destino certo. Foi a maneira que ele encontrou de nos proteger.

Dormimos ali, sentados, encostados uns nos outros, eu era apenas uma criança, mas hoje entendo o que aquela noite significou.

Não era apenas sobre não ter uma casa, era sobre coragem. Às vezes, o recomeço não vem organizado, não vem confortável, não vem seguro. Às vezes, ele começa no improviso.

E foi naquela rodoviária que a nossa nova história começou, talvez você também esteja vivendo um momento que parece incerto.

Mas pode ser exatamente aí que sua virada está começando.

Continua…

Nem todo recomeço vem com aplausos, a mudança vem para nos fazer crescer

Vamos enriquecer juntos.

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