Começo
No dia seguinte à noite que passamos na rodoviária, meu pai saiu cedo com meus irmãos mais velhos. Ele precisava encontrar um lugar para nós. No final da tarde, voltou com uma solução. Não era uma casa. Era um cômodo. Pequeno. Simples. Com banheiro. Sem móveis. Sem cama. Sem nada. Mas era nosso.
No caminho até lá, meu pai já tinha feito outra coisa que eu só entendi anos depois. Ele foi passando nos mercados e pegando caixas de papelão. Aquelas caixas seriam nossos colchões.
Chegamos no cômodo. Abrimos as caixas no chão. Minha mãe colocou as cobertas que tinha trazido na mala. Era aquilo que tínhamos. E naquele momento, era suficiente.
Meu pai pegou duas lajotas e fez um fogão a lenha do lado de fora. Minha mãe usou as panelinhas que trouxe da Bahia. Ele saiu ali pelo bairro mesmo e comprou um pouco de arroz e feijão. Quando o cheiro da comida começou a subir naquele quintal simples, não era só arroz sendo cozido. Era esperança.
Não tínhamos móveis. Não tínhamos conforto. Mas tínhamos decisão.
Naquela noite, eu não dormi em uma cama. Eu dormi sobre caixas de papelão. E mesmo assim, foi ali que começou a construção da nossa base.
Hoje eu entendo uma coisa: o começo quase nunca é bonito. Mas se houver coragem, ele pode ser poderoso.
Continua na Parte 3.
Ou você constrói com o pouco, ou nunca terá o muito.
Vamos enriquecer juntos.