A fome não espera
A vida não ficou fácil de repente. Mesmo com meu pai trabalhando e minha mãe capinando quintais, houve dias em que a comida acabou. E quando eu digo que acabou… acabou mesmo. Teve vezes em que passamos dois, três dias sem arroz, sem feijão, sem pão. A fome não era exagero. Era real.
Eu lembro do silêncio dentro de casa nesses dias. Um silêncio diferente. Não era briga. Não era choro alto. Era cansaço. Minha mãe fazia o que podia. Meu pai trabalhava o mês inteiro esperando o pagamento. Mas a conta nem sempre fechava.
E foi nesses dias que eu vi outra forma de amor. Minha irmã, que era um pouco mais velha, pegava o fubá que às vezes ganhávamos e fazia polenta para alimentar a gente. Não era o que queríamos. Era o que tinha. E, mesmo quando quase não havia nada, existia algo que nunca faltou dentro daquela casa simples: caráter.
Meus pais nunca ensinaram a gente a pegar o que não era nosso. Nunca ensinaram a culpar o mundo. Nunca ensinaram a desistir. Eles ensinaram a trabalhar. Ensinaram a respeitar. Ensinaram que dificuldade não é desculpa para escolher o caminho errado.
Hoje, olhando para trás, eu não romantizo a pobreza. Foi difícil. Foi dolorido. Foi cansativo. Mas foi ali que foi formado quem eu sou. Faltou comida algumas vezes. Mas não faltou exemplo.
Continua na Parte 5.
As dificuldades não te limitam: elas te lapidam.
Vamos enriquecer juntos.