Sejam bem-vindos.
Aqui compartilho partes da minha vida pessoal, desde a infância até os dias de hoje. São histórias reais, vividas por mim, sem filtros ou invenções.
Sempre acreditei que a vida é um espelho: observando histórias de outras pessoas, aprendi a refletir, escolher caminhos e tomar decisões, sejam
elas boas ou ruins. Que isso fique bem claro entre nós: este espaço é feito apenas de vivências reais de toda uma vida.
Silêncio
Sexta-feira Santa. Um dia que não fala alto, não grita… mas faz a gente pensar. Um dia de silêncio, de pausa, de olhar para dentro.
A gente vive correndo, resolvendo, tentando dar conta de tudo. Mas hoje… parece que o mundo desacelera um pouco. E no meio desse silêncio, muita coisa começa a aparecer. Pensamentos, sentimentos, coisas que a gente foi deixando para depois.
Tem coisas que a gente só entende quando para. Quando silencia. Quando deixa o barulho de fora diminuir para conseguir ouvir o que está aqui dentro.
A Sexta-feira Santa não é só sobre dor. É sobre significado. Sobre entrega. Sobre fé. Sobre entender que, mesmo nos momentos difíceis, existe um propósito que a gente nem sempre consegue ver na hora.
Mas isso fica aqui entre nós… às vezes, tudo o que a gente precisa não é de mais força. É de mais fé.
E foi nesse silêncio que eu entendi uma coisa; Às vezes, é nele que a gente encontra as respostas que estava procurando há tanto tempo, o silêncio também ensina, principalmente quando a gente decide ouvir.
Ele foi ferido por causa das nossas transgressões…
e pelas suas feridas fomos curados. Isaías 53:5
Vamos enriquecer juntos
Cansaço
A vida como ela é… aqui entre nós. Tem dias que a gente não está triste, não está mal… só está cansado. Cansado de tentar, de resolver, de segurar tudo sozinho sem mostrar para ninguém.
É um cansaço que não é só do corpo. É da mente. É do coração. É de ter que ser forte o tempo todo, mesmo quando tudo o que a gente queria era parar um pouco.
E o mais difícil é que quase ninguém vê. Por fora, parece que está tudo bem. Mas por dentro… a gente está só tentando aguentar mais um dia.
Aqui entre nós… nem sempre é falta de força. Às vezes é só excesso de peso. Coisas acumuladas, responsabilidades, pensamentos, preocupações que vão ficando… e a gente continua carregando.
E foi vivendo isso que eu entendi uma coisa. Não é errado parar um pouco. Não é fraqueza respirar. Às vezes, tudo o que a gente precisa… é de um momento para se recompor e continuar.
Vinde a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Mateus 11:28
Vamos enriquecer junots
Guerra
A vida como ela é… aqui entre nós. A gente liga a televisão, abre o telemóvel, e vê imagens que parecem distantes… mas que, no fundo, mexem com a gente. Pessoas deixando suas casas, famílias separadas, vidas interrompidas de um dia para o outro.
A guerra não escolhe hora nem lugar. Ela simplesmente chega… e muda tudo. O que antes era rotina, vira sobrevivência. O que antes era certo, vira medo. E quem está ali no meio só queria uma coisa simples: viver em paz.
Quando a gente vê tudo isso, alguma coisa muda dentro da gente. A gente começa a perceber que muitas vezes reclama de coisas pequenas, enquanto tem gente lutando para manter o básico: a própria vida, a própria família.
E foi pensando nisso que eu entendi uma coisa. A gente ainda tem algo muito valioso, que muita gente hoje não tem: a chance de continuar, de tentar, de recomeçar.
O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? Salmos 27:1
vamos enriquecer juntos
Fim
A pobreza começou muito antes de mim. Ela já existia na minha família, na minha história, nas coisas que eu ouvi desde pequena. Eu cresci ouvindo que dinheiro não era para gente como nós. Que quem nasce pobre morre pobre. E que rico era ladrão.
Teve um tempo que eu até tinha medo de ser rica. Medo de ser uma coisa ruim. Medo de me tornar alguém que eu não queria ser.
Mas a vida vai ensinando. E um dia eu entendi uma coisa muito importante. A pobreza pode ter começado antes de mim. Mas ela não precisava continuar depois de mim.
Foi nesse dia que eu tomei uma decisão dentro do meu coração. Uma decisão silenciosa. Uma decisão que ninguém viu. Mas que mudou tudo. Mas eu entendi uma coisa: A história pode até ter começado assim; mas não precisava terminar em mim.
Nem tudo o que nos ensinam precisamos levar para o resto da vida.
Vamos enriquecer juntos
Destino
Se você leu até aqui, então já conhece um pedaço da minha história. A rodoviária, o quarto vazio, o carrinho de mão e os dias de fome.
Mas agora eu preciso te contar o que realmente importa.
Nenhum dos filhos da minha mãe virou pessoa de má conduta. Nenhum escolheu o caminho errado. Somos trabalhadores, somos honestos e somos pessoas de caráter.
E isso não aconteceu porque a vida foi fácil. Aconteceu porque, mesmo na dificuldade, houve escolha.
A vida não oferece as mesmas oportunidades para todos, isso é verdade. Mas a decisão de quem você vai se tornar… essa é sua.
Eu poderia ter usado minha infância como desculpa. Poderia ter escolhido a revolta. Poderia ter seguido o caminho mais fácil.
Mas eu escolhi não me acovardar. Escolhi trabalhar, escolhi crescer e escolhi fazer diferente.
Hoje, quando olho para trás, eu não vejo apenas dificuldade. Eu vejo formação. Vejo uma base sendo construída no meio do improviso. Vejo que cada quilômetro andando a pé, cada noite no papelão e cada prato simples de comida estavam moldando a mulher que eu me tornaria.
Minha origem não determinou meu destino. Minhas escolhas determinaram.
E é por isso que eu compartilho essa história. Não para que sintam pena, mas para que entendam que não importa onde você começou. O que realmente importa é a decisão que você toma a partir de agora.
O passado pode explicar, mas não pode comandar, a escolha é sempre sua. E a vida começa no momento em que você decide não se acovardar.
Que a sua história não seja uma desculpa. Que seja combustível.
Vamos enriquecer juntos.
A fome não espera
A vida não ficou fácil de repente. Mesmo com meu pai trabalhando e minha mãe capinando quintais, houve dias em que a comida acabou. E quando eu digo que acabou… acabou mesmo. Teve vezes em que passamos dois, três dias sem arroz, sem feijão, sem pão. A fome não era exagero. Era real.
Eu lembro do silêncio dentro de casa nesses dias. Um silêncio diferente. Não era briga. Não era choro alto. Era cansaço. Minha mãe fazia o que podia. Meu pai trabalhava o mês inteiro esperando o pagamento. Mas a conta nem sempre fechava.
E foi nesses dias que eu vi outra forma de amor. Minha irmã, que era um pouco mais velha, pegava o fubá que às vezes ganhávamos e fazia polenta para alimentar a gente. Não era o que queríamos. Era o que tinha. E, mesmo quando quase não havia nada, existia algo que nunca faltou dentro daquela casa simples: caráter.
Meus pais nunca ensinaram a gente a pegar o que não era nosso. Nunca ensinaram a culpar o mundo. Nunca ensinaram a desistir. Eles ensinaram a trabalhar. Ensinaram a respeitar. Ensinaram que dificuldade não é desculpa para escolher o caminho errado.
Hoje, olhando para trás, eu não romantizo a pobreza. Foi difícil. Foi dolorido. Foi cansativo. Mas foi ali que foi formado quem eu sou. Faltou comida algumas vezes. Mas não faltou exemplo.
Continua na Parte 5.
As dificuldades não te limitam: elas te lapidam.
Vamos enriquecer juntos.
O carrinho de mão
No dia seguinte meu pai saiu em busca de emprego, e logo começou a trabalhar, a gente respirou um pouco mais aliviado. Mas salário vinha só uma vez por mês. E fome não espera trinta dias. Éramos dez pessoas dentro de um cômodo simples.
Então minha mãe fez o que sempre fez na vida: não esperou a dificuldade vencer. Ela fez amizade com algumas vizinhas e conseguiu emprestado um carrinho de mão, uma pá, uma enxada e um rastelo. Perguntou onde poderia procurar serviço e falaram de um bairro chamado Inocope. E foi para lá que ela foi.
Quatro quilômetros a pé. Na ida, o carrinho estava vazio. Eu tinha sete anos e fui dentro dele, enquanto minha mãe empurrava.
Chegando no bairro, na primeira casa que viu, ela bateu palmas. Quando a dona saiu, minha mãe falou com humildade:
A senhora tem um quintal para eu capinar? Não precisa me pagar em dinheiro. Se puder me dar arroz e feijão para levar para casa, já me ajuda. Tenho oito filhos para alimentar e chegamos há poucos dias da Bahia.
Era dignidade. Não era esmola. Era trabalho em troca de comida.
A mulher deixou minha mãe entrar. E ali começou mais um dia de luta. Minha mãe capinava sem parar. Eu, com minhas mãos pequenas, pegava o rastelo e ajudava como podia. Juntava o mato, enchia o carrinho, fazia minha parte.
O sol subiu. O sol desceu. E o quintal ficou limpo. Muito limpo. No final da tarde, aquela mulher fez algo que eu nunca esqueci. Ela pegou nosso carrinho de mão… e encheu de comida.
Eu não sei se deu dinheiro para minha mãe. Eu era pequena demais para entender tudo. Mas eu sei que o carrinho voltou pesado.
Tão pesado que, na volta, eu não pude ir dentro dele. Eu andei os quatro quilômetros a pé.
E ali, naquela caminhada, eu senti pela primeira vez o peso da realidade, mas também senti algo maior: orgulho.
Orgulho da minha mãe. Orgulho de saber que, mesmo na dificuldade, a gente escolhia trabalhar.
Hoje eu entendo que naquele dia eu aprendi uma das maiores lições da minha vida: dignidade não se negocia.
Continua na Parte 4.
Ou a fome te humilha, ou te ensina a lutar.
Vamos enriquecer juntos.
Começo
No dia seguinte à noite que passamos na rodoviária, meu pai saiu cedo com meus irmãos mais velhos. Ele precisava encontrar um lugar para nós. No final da tarde, voltou com uma solução. Não era uma casa. Era um cômodo. Pequeno. Simples. Com banheiro. Sem móveis. Sem cama. Sem nada. Mas era nosso.
No caminho até lá, meu pai já tinha feito outra coisa que eu só entendi anos depois. Ele foi passando nos mercados e pegando caixas de papelão. Aquelas caixas seriam nossos colchões.
Chegamos no cômodo. Abrimos as caixas no chão. Minha mãe colocou as cobertas que tinha trazido na mala. Era aquilo que tínhamos. E naquele momento, era suficiente.
Meu pai pegou duas lajotas e fez um fogão a lenha do lado de fora. Minha mãe usou as panelinhas que trouxe da Bahia. Ele saiu ali pelo bairro mesmo e comprou um pouco de arroz e feijão. Quando o cheiro da comida começou a subir naquele quintal simples, não era só arroz sendo cozido. Era esperança.
Não tínhamos móveis. Não tínhamos conforto. Mas tínhamos decisão.
Naquela noite, eu não dormi em uma cama. Eu dormi sobre caixas de papelão. E mesmo assim, foi ali que começou a construção da nossa base.
Hoje eu entendo uma coisa: o começo quase nunca é bonito. Mas se houver coragem, ele pode ser poderoso.
Continua na Parte 3.
Ou você constrói com o pouco, ou nunca terá o muito.
Vamos enriquecer juntos.
A rodoviária
Eu tinha sete anos quando meu pai decidiu que ficar na Bahia já não era mais uma opção.
Morávamos em Itamaraju. A vida estava difícil. Éramos oito filhos pequenos, e meus pais faziam o que podiam para nos sustentar. Mas chegou um momento em que continuar ali significava aceitar que nada iria mudar, e meu pai não aceitou.
Ele juntou algumas roupas, colocou panelas dentro de uma caixa, organizou as poucas sacolas que tínhamos e colocou todos nós dentro de um ônibus, isso la 1982.
Saímos da Bahia rumo ao Espírito Santo, eu não entendia direito o que estava acontecendo. Só sabia que estávamos indo para longe de tudo o que conhecíamos.
Chegamos à rodoviária de São Mateus por volta das duas da tarde. Meu pai disse que ia procurar uma casa para alugar. Minha mãe ficou com a gente ali, sentada, cuidando de oito crianças, tentando manter a calma.
O tempo passou, e o sol começou a se pôr, e meu pai voltou quase sete horas da noite, sem casa, sem resposta, e sem esperança.
Naquela noite, ficamos na rodoviária, não tinha para onde ir. Meu pai disse que continuaríamos viagem no dia seguinte. Falou aquilo para que ninguém percebesse que não tínhamos destino certo. Foi a maneira que ele encontrou de nos proteger.
Dormimos ali, sentados, encostados uns nos outros, eu era apenas uma criança, mas hoje entendo o que aquela noite significou.
Não era apenas sobre não ter uma casa, era sobre coragem. Às vezes, o recomeço não vem organizado, não vem confortável, não vem seguro. Às vezes, ele começa no improviso.
E foi naquela rodoviária que a nossa nova história começou, talvez você também esteja vivendo um momento que parece incerto.
Mas pode ser exatamente aí que sua virada está começando.
Continua…
Nem todo recomeço vem com aplausos, a mudança vem para nos fazer crescer
Vamos enriquecer juntos.
Realidade
Passar uma noite em claro não é fácil. Pensando nos últimos acontecimentos que estão circulando na internet. Notícias pesadas. Revelações que parecem roteiro de filmes de terror. Confesso que fiquei em choque, estarrecida abalada emocionalmente.
E quando isso acontece, o corpo reage da pior forma possível como já não bastassem as dores físicas devido a um acidente que sofri de moto ocorrido em 22/01/26, o choque das notícias foi tão grande que não me contive e, ao tomar banho, fui ao chão, machucando o que já estava machucado. A sensação de dor, de possível ruptura dos 5 parafusos e do fio de Kirschner que foi posto ao pé com apenas 15 dias de operada… e isso me aconteceu.
A internet é uma ferramenta poderosa ela pode informar, pode ensinar, pode libertar, mas também pode bombardear. Informação que atravessa a tela e atinge direto a nossa mente. A gente nem percebe, aquilo começa a morar dentro da gente, e, levando em consideração que é um meio de comunicação, ela também pode ser um meio de destruição.
O problema não é a informação, ela precisa existir, a verdade precisa vir à tona. O que acontece no mundo não pode ser escondido, porque o problema não é saber, o problema são as pessoas que cometeram os atos, e o mal que foi praticado, e a origem do crime. A internet não criou o mal, ela expôs. E quando algo é exposto, nós tomamos conhecimento de coisas que talvez nunca imaginaríamos, e é isso que dói. Não é a informação em si, é descobrir que aquilo existe e fere a nossa inocência.
Crianças, sem exceção de etnia, origem ou condição, são bênçãos. São vidas em formação. Precisam ser amadas, protegidas e respeitadas, a maldade humana tomou conta do mundo, Impossível não se abalar.
Às vezes parece que o mundo está de cabeça para baixo. Eu costumo dizer que a internet é como uma arma, agente não vê, mas podemos sentir o impacto profundo; Mas a responsabilidade é de cada um de nós. E se não tivermos maturidade emocional, a gente absorve tudo como se fosse pessoal, como se fosse imediato, como se estivesse acontecendo dentro da nossa casa.
O que antes acontecia longe, agora entra pela nossa tela. Não podemos ignorar a verdade. A informação não é o vilão, a responsabilidade é de quem praticou o mal. E é aí que percebemos o quanto somos frágeis. São histórias que tiram o nosso chão, e existem dias de vulnerabilidade, hoje foi um desses dias em que eu senti o peso das coisas. Não é uma verdade absoluta.
Não é regra, não é julgamento, que fique bem claro isso entre nós, é apenas o meu entendimento diante do que vivi.
Não podemos mudar o mundo, Mas podemos mudar algo dentro de nós.
Vamos enriquecer juntos.
Responsabilidade
Houve uma época da minha vida em que eu estragava muitos alimentos dentro de casa. Eu fazia compra, enchia a geladeira, cozinhava bastante, e no terceiro dia parte da comida ia para o lixo. Naquele momento eu não tinha noção do que aquilo realmente significava.
Até que chegou uma fase em que começou a faltar alimento dentro de casa. E foi ali que eu aprendi da forma mais amarga possível o que é administrar. Administrar dinheiro, administrar casa, administrar alimento. Porque no fundo tudo é administração.
Eu observava como eu costumava cozinhar. Pegava uma cenoura, uma batata, uma beterraba, um chuchu, um inhame, uma batata doce. Cortava tudo em palitinho e fazia um prato grande, cheio, bonito. Um de cada.
A gente almoçava. Jantava. No outro dia almoçava de novo. Jantava outra vez. E no terceiro dia aquilo já não estava bom. Ia para o lixo. E ali estava indo meu dinheiro.
Foi então que comecei a mudar. Primeiro reduzi para metade de cada verdura. Ainda sobrava. Reduzi mais. Fui testando, observando, ajustando.
Até que cheguei na medida ideal: dois dedos.
Pegava a cenoura e media dois dedos.
O chuchu, dois dedos.
A batata, dois dedos.
O inhame, dois dedos.
A abóbora, uma fatia de dois dedos.
A batata doce também.
Cozinhava dois dedos de cada verdura. Aquela passou a ser a medida certa para alimentar cinco pessoas, dois adultos e três crianças. Almoçava. Jantava. E acabava. Não sobrava para estragar.
Mas eu entendi algo ainda mais importante: não adiantava aprender a cozinhar dois dedinhos se eu continuasse comprando demais.
Se eu continuasse trazendo sacos grandes porque estavam mais baratos, o desperdício ia continuar. Talvez não na panela, mas na geladeira. E muitas vezes o que ficava para a outra semana acabava estragando do mesmo jeito.
Então eu refiz tudo.
Não só dentro de casa, mas também na hora de comprar.
Eu deixei de comprar sacos cheios de cenoura, de batata, de chuchu. Parei de comprar pelo impulso, Porque comigo, quando sobrava demais, ia para o lixo.
Passei a comprar apenas o necessário para a semana.
Duas cenouras para sete dias.
Dois chuchus para sete dias.
Duas batatas.
Dois inhames.
Duas batatas doces.
Uma abobrinha pequena.
Nem mais. Nem menos.
Foi aí que eu entendi que economizar não é passar necessidade. É entender a medida certa. E a medida certa começa na compra.
Hoje eu sei que economia não está só nos alimentos. Está na água, na luz, nas pequenas decisões da casa. Mas isso é assunto para outro dia, o que eu aprendi foi simples: desperdício não começa no lixo. Começa na falta de atenção, quando você presta atenção, o dinheiro fica.
Em tudo há uma engenharia,
Vamos enriquecer juntos.
confiança
Durante muito tempo, eu achei que só poderia ensinar depois de “chegar lá”.
Depois de ter tudo resolvido, todos os números fechados, uma vida estável, perfeita, sem falhas aparentes. Na minha cabeça, ensinar antes disso parecia pretensão. Como se eu estivesse enganando alguém por ainda estar no meio do caminho.
Mas a verdade é que eu comecei a ensinar exatamente porque eu estava construindo. Eu falava do que eu estava vivendo, errando, ajustando e aprendendo na prática. E isso incomoda. Incomoda quem acha que só tem valor quem já venceu completamente. Incomoda até a nós mesmos, quando a insegurança aparece.
Ensinar enquanto ainda se constrói exige coragem. Porque tu sabes que ainda não sabes tudo. Sabes que ainda tens dúvidas. Sabes que ainda sentes medo. E mesmo assim decides compartilhar. Não como quem se coloca acima, mas como quem caminha junto. Isso muda completamente a relação com quem te acompanha.
Houve dias em que pensei em parar de falar de dinheiro justamente por ainda estar vivendo limitações. Pensava: “quem sou eu para falar de organização financeira se hoje precisei escolher entre duas coisas simples?”. Mas foi aí que percebi o quanto essa lógica é injusta. Porque a base da educação financeira não é abundância — é consciência.
Eu nunca ensinei perfeição. Eu ensino processo. Ensino escolhas. Ensino mentalidade. Ensino constância em dias normais. E isso continua sendo verdade mesmo quando a vida aperta. Talvez seja ainda mais verdade nesses momentos. Porque é fácil falar quando tudo está confortável. Difícil é manter princípios quando o cenário muda.
Ensinar enquanto ainda se constrói também traz um peso emocional. Tu sentes responsabilidade. Sentes medo de decepcionar. Sentes a cobrança invisível de estar sempre bem. Mas, aos poucos, aprendi que vulnerabilidade não diminui autoridade. Pelo contrário, aproxima. Humaniza. Dá permissão para o outro também estar em construção.
Se eu tivesse esperado estar “pronta”, eu nunca teria começado. E hoje vejo que muita gente só começou a cuidar do próprio dinheiro porque percebeu que não precisava ser perfeita para isso. Precisava apenas começar, mesmo com medo, mesmo devagar, mesmo sem certeza absoluta.
Ainda estou construindo. Ainda estou aprendendo. Ainda estou ajustando rotas. E isso não me invalida. Isso me mantém real. Porque a riqueza que eu acredito não nasce do pedestal, mas da coerência diária entre o que se vive e o que se ensina.
Crescer também é aprender.
Vamos enriquecer juntos.
Depois do primeiro degrau
Quase ninguém fala sobre isso, mas o medo não desaparece quando as coisas começam a funcionar. Na verdade, ele muda de forma. Quando eu ainda não tinha construído nada, o medo era de tentar e não conseguir. Depois que os resultados começaram a aparecer, o medo virou outro: o de perder, o de não sustentar, o de decepcionar.
Existe uma pressão invisível quando tu já avançaste. Parece que agora não tens mais o direito de errar. Como se qualquer passo em falso anulasse tudo o que foi construído antes. Esse tipo de pensamento é cruel, porque transforma crescimento em prisão. E eu precisei aprender a lidar com isso para não travar.
Quando eu atingi os meus primeiros cem mil reais, achei que me sentiria segura. Mas o que veio foi uma pergunta constante na cabeça: “e se isso for o máximo que eu consigo?”. Esse medo não aparece nos números, mas pesa muito por dentro. Ele te faz repensar decisões simples, te deixa mais dura contigo mesma e, às vezes, até te paralisa.
Foi nesse momento que percebi algo importante: estabilidade financeira não é ausência de medo, é convivência consciente com ele. Quem cresce aprende a administrar risco, não a eliminá-lo. E isso vale tanto para investimentos quanto para a vida. Eu precisei reaprender a confiar no processo que me trouxe até aqui, mesmo quando o cenário mudou.
Também precisei aceitar que retrocessos fazem parte. Que nem toda fase será de crescimento visível. Que existirão meses de manutenção, de ajustes, de contenção. E isso não apaga o caminho já percorrido. Pelo contrário, fortalece a base. Sustentar é tão importante quanto crescer.
Hoje, quando o medo aparece, eu não luto contra ele. Eu observo. Pergunto o que ele está tentando me proteger, ajusto o que precisa ser ajustado e sigo. Não deixo que ele tome decisões por mim. Porque se eu deixasse, teria parado várias vezes depois de já ter provado para mim mesma que era capaz.
Se tu estás numa fase em que já avançaste, mas sentes esse medo silencioso de cair, quero que saibas: isso não é fraqueza. É sinal de responsabilidade. O segredo é não permitir que esse medo te impeça de continuar. Crescer exige coragem, mas sustentar exige maturidade.
O sucesso não elimina o medo ele ensina a caminhar mesmo com ele.
Vamos enriquecer juntos.
Desacelerar
Houve um momento em que eu simplesmente desapareci.
Não foi estratégico. Não foi planejado. Foi a vida acontecendo de um jeito que não cabe em legenda, nem em gráfico de crescimento. Eu continuei a investir, continuei a pensar no futuro, continuei a aprender… mas parei de aparecer.
Muita gente acha que quando alguém some é porque desistiu. No meu caso, foi o contrário. Eu precisei silenciar o barulho externo para conseguir ouvir melhor a mim mesma. Estava cansada, não só fisicamente, mas mentalmente. Cansada de tentar manter ritmo quando a estrutura já não existia da mesma forma.
Viver em uma caravana muda completamente a tua percepção de conforto, de rotina e de prioridade. Tudo fica mais simples, mais direto e, ao mesmo tempo, mais exigente. Não há espaço para excessos. Cada escolha pesa mais. Cada decisão precisa ser pensada com calma, porque o erro custa caro, não só em dinheiro, mas em energia.
Essa fase me ensinou algo muito importante: crescimento financeiro não é uma linha reta. Existem períodos de aceleração e períodos de contenção. E saber respeitar os momentos de contenção é uma técnica poderosa, embora pouco falada. Enquanto muitos tentam forçar produtividade em fases instáveis, eu aprendi a preservar o essencial.
Mesmo aparecendo menos, eu continuei fiel às minhas bases. Não mexi no que funcionava. Não abandonei meus princípios financeiros. Apenas ajustei o ritmo à realidade do momento. E isso também é maturidade financeira: saber reduzir a velocidade sem perder a direção.
Te confesso que, em vários dias, a vontade de voltar com tudo existia. Mas a estrutura não acompanhava. Faltava energia, internet, silêncio, cabeça no lugar. Então eu fiz o que sempre fiz com o dinheiro: respeitei o cenário e agi com consciência. Forçar teria custado mais do que esperar.
Essa pausa não foi um retrocesso. Foi um ajuste. Um alinhamento interno. Porque construir algo sólido exige mais do que constância externa, exige equilíbrio interno. Hoje, olhando para trás, vejo que esse período fortaleceu muito mais a minha mentalidade do que qualquer fase de crescimento rápido.
Se tu estás numa fase parecida, em que precisaste diminuir, pausar ou reorganizar tudo, quero que saibas: isso não te tira do jogo. Às vezes, é exatamente isso que te prepara para o próximo nível. Continuar fiel ao essencial, mesmo em silêncio, também é construir riqueza.
Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para tudo o propósito debaixo do céu.
Eclesiastes 3:1
Vamos enriquecer juntos.
Disciplina
Muita gente olha para os resultados e acha que tudo aconteceu de forma rápida, organizada e perfeita.
Como se eu tivesse acordado um dia sabendo investir, sabendo poupar, sabendo tomar boas decisões financeiras o tempo todo. A verdade é que o que mais fez diferença na minha vida não foram os grandes acertos, mas sim a repetição diária de pequenas escolhas que quase ninguém vê.
Quando falo de disciplina, não estou a falar de acordar às cinco da manhã ou viver uma vida rígida e sem prazer. Estou a falar de aprender a dizer “não” para mim mesma em momentos específicos. Não por falta de dinheiro, mas por clareza de objetivo. Houve muitos dias em que eu podia gastar mais, sair mais, aliviar mais… e escolhi não fazer. Não porque fosse fácil, mas porque eu sabia exatamente onde queria chegar.
Uma das minhas principais técnicas sempre foi tratar o dinheiro como uma ferramenta, nunca como recompensa emocional. Isso muda tudo. Quando o dinheiro deixa de ser consolo para dias difíceis, ele passa a trabalhar a teu favor. Eu aprendi a separar emoções de decisões financeiras, mesmo quando a vida estava confusa, mesmo quando eu estava cansada, mesmo quando morar fora trouxe insegurança e solidão.
Outra coisa que quase ninguém percebe é como a simplicidade acelera o crescimento financeiro. Eu nunca precisei de estratégias mirabolantes. O básico bem feito, repetido todos os meses, foi muito mais poderoso do que qualquer promessa de ganho rápido. Controlar gastos, investir com constância, respeitar meu próprio ritmo e não tentar impressionar ninguém foram atitudes silenciosas, mas extremamente eficazes.
Também houve períodos em que eu simplesmente mantive o plano, sem avançar muito, sem grandes vitórias. E isso é algo que raramente aparece nas histórias de sucesso. Nem todo mês é incrível. Nem toda fase é motivadora. Às vezes, o mais importante é não desistir quando nada parece estar a acontecer. Foi nessas fases que a disciplina realmente se consolidou.
Se eu tivesse que resumir tudo em uma única técnica, seria esta: eu parei de esperar vontade para agir. Fiz mesmo sem motivação. Continuei mesmo sem empolgação. E foi exatamente isso que construiu a base que hoje muita gente admira. Não foi talento, não foi sorte, foi constância em dias comuns.
Escrevo isso aqui porque talvez tu estejas numa fase em que nada parece estar a funcionar ainda. E quero que saibas: isso não significa que estás no caminho errado. Às vezes, significa apenas que estás no meio do processo invisível. A parte que ninguém posta, mas que muda tudo.
A riqueza não nasce do impulso, ela cresce no silêncio das decisões certas.
Vamos enriquecer juntos.
Processo
Este mês não foi daqueles que rendem fotos bonitas ou frases de efeito. Foi um mês de silêncio, ajustes internos e muita observação. Não de fora para dentro, mas de dentro para fora.
Houve dias em que eu fiz o que precisava ser feito sem vontade. Outros em que precisei aceitar limites que não queria aceitar. Nem tudo fluiu, nem tudo avançou. Mas nada foi fingido. E isso, para mim, já é um tipo de vitória.
Aprendi que nem todo mês serve para crescer. Alguns servem para sustentar. Para não cair. Para continuar mesmo quando o entusiasmo não aparece. E isso exige mais maturidade do que parece.
Também percebi o quanto a constância silenciosa constrói mais do que qualquer pico de energia. Estar presente, mesmo em ritmo menor, muda a relação com o processo. Não é sobre intensidade. É sobre honestidade com o momento vivido.
Encerrar este mês não vem com lista de metas cumpridas, mas com clareza, sobre o que funciona, sobre o que pesa e sobre o que já não faz sentido levar adiante. Isso prepara o próximo ciclo de forma muito mais sólida.
Hoje, eu fecho o mês sem cobrança. Com respeito pelo caminho percorrido e confiança de que continuar, mesmo simples, já é suficiente.
Alguns meses não aceleram Eles alinham.
Vamos enriquecer juntos.
Como Conquistei Meus Primeiros R$100 Mil Investidos
Minha Jornada Começou aos 47 Anos
Quando me mudei para Portugal, aos 46 anos, tive que começar praticamente do zero. Os primeiros custos da mudança consumiram cerca de R$100 mil, sobrando apenas R$18 mil para investir. Foi nesse momento que decidi colocar meu dinheiro para trabalhar e construir um patrimônio sólido.
Começar a investir não foi fácil. Tive que abrir mão de algumas coisas, manter o foco nos meus objetivos e aprender a disciplina financeira. Mas cada passo valeu a pena.
O Poder do Investimento Pequeno e Constante
Investi em ações e ativos diversos, usando corretoras como XTB, Binance e Rico. No começo, os valores pareciam pequenos – algumas vezes apenas 5 centavos de euro. Mas esses pequenos aportes, feitos de forma consistente, se transformaram em algo muito maior.
Um ponto fundamental: alimentar o próprio dinheiro para que ele cresça. Assim como um agricultor precisa cuidar das galinhas para que continuem produzindo ovos, precisamos cuidar dos nossos investimentos para que rendam mais dinheiro.
Estratégias que Funcionaram para Mim:
Foco nas ações mais caras da carteira: sempre que recebia um valor maior, investia em ativos que precisavam de mais capital.
Reinvestir os proventos: os dividendos das ações eram usados para comprar mais dessas mesmas ações, criando um efeito “bola de neve”.
Investir pequenas sobras: qualquer valor residual que sobrava na corretora era investido em ativos de baixo custo, como CDBs ou ações baratinhas.
Monitoramento diário: todos os dias, revisava minhas ações, criptomoedas e investimentos para identificar oportunidades de compra e crescimento.
Disciplina e Sacrifício
Para atingir meus objetivos, precisei dizer “não” a certos prazeres imediatos: jantares fora, roupas novas ou pequenos luxos. Mas essa disciplina foi essencial para construir meu patrimônio.
O foco nos objetivos permite que você não se distraia com gastos desnecessários e mantenha a trajetória rumo à liberdade financeira.
A Motivação Está nas Pequenas Conquistas
Mesmo os pequenos valores que investi no início me traziam grande alegria, pois representavam liberdade, abundância e independência financeira. Cada centavo era um passo em direção ao meu objetivo maior.
Hoje, três anos depois, consigo olhar para minha carteira e ver que meu patrimônio já ultrapassou os R$100 mil, conquistado com paciência, disciplina e consistência.
Conclusão
Se você está começando a investir agora, lembre-se: não importa a idade nem o valor inicial. O importante é acreditar, começar pequeno, reinvestir os lucros e manter o foco.
Se eu consegui, você também consegue. Cada pequeno passo importa. O segredo está na disciplina e na constância. Invista no seu futuro, comece hoje e veja o efeito transformador
do tempo e da consistência.
Chegar ao topo, olhar para trás e perceber que o mais e importante não foi apenas conquistar, mas vencer todo o processo.
Vamos enriquecer Juntos
Como se tornar uma pessoa próspera
Muita gente confunde prosperidade com riqueza, como se fossem a mesma coisa. Mas, para mim, não são. Prosperidade não tem, necessariamente, a ver com bens materiais. Tem a ver com abundância, com gratidão, como dar e receber, mesmo quando aparentemente falta alguma coisa.
A vida é como um trem. A gente nasce e entra nesse trem, e ele segue o seu percurso. Durante a viagem, algumas pessoas entram, outras saem, e em cada paragem temos escolhas a fazer. A forma como agimos nessas paragens define o tipo de vida que vamos construir.
Quero partilhar um pouco da minha história para explicar isso melhor.
No início do meu casamento, quando voltei de Belo Horizonte para o Espírito Santo, a nossa vida era muito simples. Compramos um terreno e começamos a morar num pequeno barraco, ainda sem porta e sem janela. Eu estava grávida, tinha uma filha pequena e o meu marido estava desempregado. À primeira vista, muita gente diria que éramos pobres.
Mas a nossa casa era próspera.
Mesmo sem emprego fixo, nunca nos faltou comida. O meu marido começou a criar cabras, galinhas, e a pescar no mar. Tínhamos leite todos os dias para as crianças, peixe, lagosta, camarão, siri. A despensa estava sempre cheia. Quem chegava à nossa casa tinha do bom e do melhor para comer.
Eu não tinha porta nem janela, mas tinha fartura, tinha paz e tinha gratidão.
E mais do que isso: a gente repartia. Sempre que alguém precisava, nós dividíamos o pouco, que tínhamos. Se eu tinha dois sacos de arroz, ficava com um e doava o outro. Se tinha carne, peixe ou comida no freezer, partilhava. Isso não era generosidade, era caridade: ajudar quem realmente precisava.
Com o tempo, à medida que as coisas melhoravam, comecei também a praticar a generosidade. A diferença é simples: caridade é quando você dá a quem precisa. Generosidade é quando você dá a quem não precisa, simplesmente por amor, para alegrar alguém. Muitas vezes eu doava algo que eu mesma produzia para vender, algo que era o meu sustento, mas eu dava de coração.
E quanto mais eu dava, mais eu recebia.
Aprendi que prosperidade funciona como um ciclo. Você doa, o ciclo gira, e aquilo volta para você de outra forma, muitas vezes maior. Quando Deus tira algo pequeno da nossa mão, não é para nos deixar sem nada, é porque Ele quer colocar algo maior no lugar.
Prosperidade não é acumular. Prosperidade é fluxo.
A Palavra diz que aquilo que a gente planta, a gente colhe. Se você planta o bem, o bem volta. Se planta generosidade, recebe generosidade. Se planta amor, recebe amor. Não existe prosperidade sem doação.
Hoje, olhando para trás, vejo claramente a minha colheita. Não porque fiquei rica de bens naquele tempo, mas porque sempre fui rica de coração, de relações, de abundância dentro de casa. Eu era próspera, mesmo sem parecer.
Se você quer uma vida próspera, comece agora. Não espere ter muito para dar. Dê com o que você tem. Ajude quem precisa. Seja generoso também com quem não precisa. Faça tudo de coração.
O passado já foi. O futuro ainda não existe. O que existe é o agora. E é no agora que você planta aquilo que vai colher lá na frente.
Que o próximo ano seja um ano de prosperidade verdadeira, daquela que começa no coração e transborda para todas as áreas da vida.
Alegria e felicidadede não estão nas coisa, mas na forma que se vive a vida
Vamos enriquecer Juntos
Como eu consegui sair das dívidas e construir três casas em poucos anos
Olá, sejam todos bem-vindos.
Hoje quero partilhar um pouco da minha história, da minha vida antes de chegar a Portugal, e como tudo o que vivi me trouxe até aqui.
Sou a Erly e nasci na Bahia. Ainda criança fui para o Espírito Santo, onde cresci. Já adulta, conheci o meu marido, casámos e fomos viver para Belo Horizonte. Apesar de tudo, não me adaptei à cidade e, depois de algum tempo, decidimos regressar ao Espírito Santo, para a região da Serra. Foi ali que começamos a nossa vida do zero, meu marido, meus filhos e, eu.
A nossa realidade não era fácil. Vivíamos com muitas dificuldades, sempre recorrendo a empréstimos para conseguir sobreviver. Mesmo assim, quando surgiu a oportunidade de comprar um pequeno comércio, avancei sem pensar duas vezes. Era o que sabíamos fazer: tentar, mesmo sem segurança. O problema foi descobrir, pouco tempo depois, que o local estava sob ordem judicial de despejo. Perdemos tudo. O comércio foi demolido e, com ele, a nossa única fonte de rendimento.
Aquilo abalou-me profundamente. Entrei em depressão. Estudava Administração e Gestão Empresarial, algo que só consegui fazer mais tarde, porque na juventude não tive essa oportunidade. O meu marido estava desempregado e cuidava das crianças enquanto eu estudava. Para não abandonar os estudos, consegui um estágio na prefeitura, onde trabalhava no setor do Bolsa Família.
Foi ali que vivi uma das situações mais marcantes da minha vida. Vi de perto mães desesperadas, crianças com fome, e isso mexeu comigo porque eu sabia exatamente o que elas sentiam. Eu também passei fome na infância. Venho de uma família muito pobre, somos muitos irmãos, e houve momentos em que a comida que chegava à nossa casa vinha das sobras que a minha mãe juntava no trabalho. Não eram restos sujos, mas era o que sobrava nos pratos das casas onde ela trabalhava. Aquilo nos sustentou muitas vezes.
Por isso, movida pela dor e pela empatia, comecei a ajudar aquelas mães como podia, juntando alimentos, fazendo pequenas cestas básicas e entregando antes que o dinheiro do governo chegasse. Fiz isso de coração, mas acabei sendo mal interpretada e afastada do estágio. Mais uma vez, parecia que tudo desmoronava.
No entanto, Deus abriu outra porta. O prefeito decidiu rescindir o meu contrato de estágio e ofereceu-me um trabalho efetivo na prefeitura durante o tempo do mandato dele. Fui encaminhada para o setor de recursos humanos e ali encontrei pessoas incríveis que confiaram em mim.
Foi nesse ambiente que algo mudou a minha vida. Enquanto organizava documentos, encontrei um pequeno livro, quase um manual. Pedi autorização para tirar cópias e comecei a lê-lo no caminho da escola, nos intervalos do dia. Aquele conteúdo mudou completamente a minha forma de pensar sobre dinheiro, dívidas e construção de patrimônio. Não foi o livro em si, mas a ferramenta que Deus usou para virar uma chave na minha mente.
Percebi que precisávamos parar de viver endividados e começar a construir algo sólido. Morávamos numa casa muito simples, e decidimos começar do zero. Planejei cada etapa, juntei o meu salário com o do meu marido, negociei com pedreiros, comprei material aos poucos. Nada era feito sem planejamento. Pagávamos por etapa concluída, sempre dentro do que podíamos.
Em poucos meses, a nossa casa estava pronta, arejada, pensada também na saúde do nosso filho, que sofria de asma. Depois disso, aproveitei parte do terreno e transformei uma construção antiga em casa de aluguel. Logo depois, fiz o mesmo com um espaço que antes seria um comércio. Tudo foi feito com muito esforço, noites sem dormir, vendendo cosméticos, fazendo tapetes, negociando centavo por centavo.
Houve momentos em que não sobrava nada. Tudo era direcionado para a construção. Mas eu tinha um objetivo claro: criar uma base que nos sustentasse no futuro. Quando fiquei desempregada, como já era esperado, eu já tinha renda de aluguel. Aquilo trouxe paz, segurança e a certeza de que o esforço tinha valido a pena.
Alguns livros foram fundamentais nesse processo. Um deles foi O Segredo, que me ensinou sobre mentalidade, fé e visualização. Outro foi Pai Rico, Pai Pobre, que abriu a minha mente para a importância de ativos e renda passiva. E também Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, que reforçou algo que sempre vivi no meu casamento: caminhar lado a lado, decidir juntos e crescer juntos.
Hoje vivo em Portugal, recomecei do zero mais uma vez, estou a pagar aluguel, mas sei exatamente onde estou, para onde vou e o que preciso fazer para chegar lá. A minha história não é sobre sorte, é sobre fé, esforço, aprendizado e decisão.
Se a minha história se parece com a tua, se de alguma forma te inspira, continua a acompanhar. Ainda tenho muito para contar.
Que Deus abençõe a tua vida e os teus sonhos.
Nada acontece por acaso.
Vamos enriquecer juntos
Minha Jornada para Portugal : Desafios, Aprendizados e Sonhos
Uma história real sobre recomeços, escolhas difíceis e crescimento pessoal
Chegar a Portugal foi um grande desafio, mas também uma experiência transformadora. Assim que cheguei, consegui empregos para manter-me: trabalhei como vendedora de roupas em uma loja pela manhã, e à tarde em um café, somando longas jornadas, mas com muito aprendizado. Aos poucos, consegui montar minha casa com a ajuda de um anjos que Deus pós na minha vida, uma visinha por nome de Idelta, uma senhora que me acolheu de uma tal forma que só Deus para explicar, ela também tem um filho e uma filha que são Adoraveis e amo de coração como irmãos para mim, que me deram móveis e supriram todas minhas necessidades. Isso me ensinou que a colaboração e a comunidade fazem toda a diferença no começo de uma nova vida.
Viver em Portugal é incrível, mas é essencial vir preparado. O custo de vida, especialmente com aluguel, é alto. Um T0, por exemplo, custa em média 800€ ou mais, e é necessário pagar adiantado vários meses de renda. O salário mínimo atual é 860 €, então sem planejamento é muito difícil se manter sozinho. Por isso, recomendo fortemente fazer um planejamento financeiro antes de vir: economizar, organizar gastos e ter um pé de segurança.
O primeiro ano foi difícil para mim e meu filho, mas a fé e a persistência me sustentaram. Trabalhar no início foi pesado, especialmente em cafés e na restauração, onde jornadas longas e algumas injustiças acontecem. Mas eu nunca desisti, continuei orando, buscando oportunidades e aprendendo com cada experiência. Hoje, consigo me manter, e ainda guardar uma parte para investir no futuro.
Além disso, aprendi a importância de investir e fazer o dinheiro trabalhar para mim. Mesmo com pouco, aplico em ações no Brasil, multiplicando aos poucos meu patrimônio. Meu objetivo é juntar para comprar minha própria casa, hoje vivo numa caravana..
A mensagem que quero deixar é clara: nunca é tarde para seguir com seus sonhos. Com fé, planejamento, coragem e esforço, é possível superar dificuldades e transformar sua vida, não importa a idade. Portugal me mostrou segurança, estabilidade e oportunidades, mas também a importância de nunca desistir. Se eu consegui, você também consegue.
Foi na dor, longe de casa, que descobrir a força que existia em mim.
Vamos enriquecer Juntos